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A música aumentou. Emma deu seu primeiro passo pelo corredor – e Rex se soltou. A coleira escorregou das mãos de Lucy enquanto o pastor alemão avançava, com as unhas raspando a madeira, latindo forte e urgentemente, cortando os sorrisos e os suspiros suaves da multidão.

Ele não a atacou. Ele passou por ela, bateu em uma mesa no canto e depois girou para trás. Antes que alguém pudesse se mover, Rex agarrou a bainha do vestido de Emma e puxou com força, arrastando o tecido, forçando-a para trás enquanto a seda se rasgava sob seus dentes.

A música diminuiu. Os convidados sussurraram. Emma sentiu o calor subir ao rosto enquanto agarrava o tecido rasgado, a humilhação abafando o instinto. De todos os dias. De todos os momentos. Seu cachorro – seu parceiro – estava arruinando seu casamento, e ela não fazia ideia do motivo.

A sala ao lado do santuário era para ser calma. Paredes brancas. Conversas suaves. O farfalhar baixo da seda e o riso nervoso. Emma estava perto do espelho em seu vestido de noiva, com o buquê apoiado no quadril, enquanto as damas de honra se reuniam atrás dela.

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Lucy estava mais próxima. Sua parceira na polícia. Hoje, trocou o uniforme por cetim azul-claro, com a coleira de Rex presa firmemente em seu pulso. Ele caminhava ao lado de Emma como sempre fazia – em incursões, turnos noturnos, longas horas de patrulha. Calmo. Concentrado. Inabalável diante de multidões. Como seu cão policial, ele foi treinado para exercer pressão. Hoje foi diferente.

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Rex permaneceu rígido perto da porta, com as orelhas em pé e os olhos fixos em algum lugar além das paredes. Não estava andando. Não estava choramingando. Apenas observando. “Provavelmente superestimulado”, murmurou Lucy. “Grande multidão. Novos cheiros.”

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Emma assentiu, embora seu olhar tenha permanecido em Rex. Lucy geralmente estava certa. Mas Rex não estava examinando a sala. Ele estava ouvindo. Sua mãe entrou na sala, enxugando os olhos com um lenço de papel e sorrindo em meio às lágrimas. Rex se moveu instantaneamente.

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Ele se interpôs entre eles e Emma, com o corpo firme e inconfundivelmente bloqueador. A sala ficou em silêncio. “Emma? Por que ele…”, sussurrou a mãe dela. “Ele está bem”, disse Emma rapidamente, colocando uma mão nas costas de Rex. Os músculos dele estavam tensos sob a palma da mão dela. “Ele foi treinado para ser vigilante, acho que a multidão não ajuda.”

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Ao comando dela, Rex deu um passo para trás – lentamente – mas seus olhos permaneceram fixos na mãe até que ela se afastou. Alguns minutos depois, Daniel entrou com a cabeça. O parceiro do noivo. O padrinho. Um deles. Um policial em um casamento de policiais.

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“Acho que está quase na hora”, disse Daniel, entrando com o sorriso no rosto. Rex não reagiu em um primeiro momento. Então Daniel se aproximou mais. A cabeça de Rex se levantou lentamente. Suas narinas se dilataram. Ele se inclinou para frente apenas o suficiente para sentir o cheiro – e congelou. Um rosnado baixo saiu de seu peito. Controlado. Deliberado. Não era medo. Não foi nervosismo.

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Daniel parou no meio do caminho. O sorriso se esvaiu, algo afiado cruzando seu rosto antes que ele forçasse uma risada. “Calma aí, amigo.” Seus olhos se voltaram para a coleira. “Não sabia que o Rex estaria aqui hoje.” O aperto de mão de Lucy ficou mais forte.

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“Sim, pensei em trazê-lo como um cão de flores”, disse Emma, rindo. Rex rosnou novamente, mais alto dessa vez. “Rex, para trás”, gritou Emma. Ele obedeceu, mas seu corpo permaneceu inclinado em direção a Daniel, com as orelhas rígidas e os olhos fixos, seguindo-o até que Daniel deu um passo cauteloso para trás.

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“Certo”, disse Daniel, já se retirando. “Apenas surpreso, só isso.” Ele fez um rápido sinal de positivo com o polegar, o sorriso não chegando a alcançar seus olhos, e fechou a porta. O rosnado só desapareceu depois que o trinco se encaixou no lugar. O silêncio se instalou na sala.

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Emma engoliu. Rex normalmente não reage dessa forma. “Isso é… novo”, sussurrou uma das damas de honra. Emma forçou um sorriso. “Ele provavelmente está me irritando.” Então Vincent apareceu. Ele sorriu quando a viu. O familiar. Aquele que ela conhecia há anos.

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Vincent entrou na sala, ajeitando o paletó, e sua expressão se suavizou quando viu Emma. Então ele notou Rex. A pausa foi breve, mas inconfundível. “Espere”, disse Vincent, olhando de Emma para o cachorro. “Rex está aqui?

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Rex mudou instantaneamente, dando um passo à frente, colocando-se entre eles. Vincent parou um pouco. “Está tudo bem, garoto”, disse ele, com as mãos ligeiramente levantadas, um sorriso educado fixo no lugar. “Calma.” Rex rosnou. Baixo. Firme. O som tinha peso.

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“Rex”, disse Emma com firmeza, puxando-o de volta pelo colarinho. “Fique de pé.” O corpo de Rex permaneceu inclinado em direção a Vincent, com os olhos sem piscar. Vincent soltou um suspiro lento. “Emma, pensei que tínhamos conversado sobre isso Ela piscou os olhos. “Sobre…”

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“Trazer um cão policial”, ele disse gentilmente, mas havia um limite agora. “Para uma igreja lotada. Música alta. Um monte de pessoas se movimentando. Isso é… muito, mesmo para ele”, disse ele coçando a nuca. “Ele é treinado”, disse Emma imediatamente. “Você já o viu trabalhar

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“Eu sei”, respondeu Vincent. “Esse é o meu ponto de vista.” Ele fez um gesto ao redor deles. “Isso não é um ataque. É um casamento. Câmeras, crianças, pessoas que não sabem como se comportar com cães como ele. Se ele reagir, não será justo com ele ou com qualquer outra pessoa.”

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O rosnado de Rex se aprofundou, só um pouquinho. Emma sentiu novamente – a menor hesitação. Rex já havia trabalhado com multidões antes. Protestos. Eventos públicos. Pior do que isso. Vincent acenou com a cabeça. Ele baixou o tom de voz. “Só não quero que ele fique estressado. Ou culpado. Ou pior – levado embora porque alguém entrou em pânico.” Antes que Emma pudesse responder, a música lá fora começou a aumentar.

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Vincent olhou para a porta e depois de volta para Rex. “Você poderia levá-lo para fora?”, ele perguntou. Não foi incisivo. Não exigente. Razoável. “Só até as coisas se acalmarem.” Emma hesitou. O corpo de Rex ainda estava rígido sob sua mão. “Lucy”, disse ela em voz baixa, virando-se. “Leve-o para fora primeiro. Leve-o para passear com os outros. Deixe-o se acalmar.”

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Lucy assentiu imediatamente, já prendendo a coleira com mais segurança em seu pulso. “Vamos, Rex Quando Rex se moveu, olhou para trás uma vez, duro, urgente, sem piscar. Emma segurou o buquê com mais força, suavizou o nervosismo e disse a si mesma, assim que as portas começaram a se abrir, que estava tudo bem. Ela sairia por último. Esse era o plano.

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Lucy deu um leve puxão na coleira. Rex hesitou, não o suficiente para detê-los, apenas o suficiente para interromper o ritmo. Em seguida, ele se moveu, abaixando ligeiramente a cabeça quando entraram no corredor. Ao passarem pelas primeiras fileiras, seu nariz trabalhou com firmeza, inalações rápidas e precisas, provando o ar ao redor de cada convidado. As mãos se enrijeceram. Os joelhos se afastaram. Alguns sorrisos se esboçaram, desconfortáveis, mas educados.

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Na metade do caminho, Rex diminuiu a velocidade novamente. Sua cabeça se virou bruscamente para o canto mais distante da igreja, onde os presentes de casamento estavam empilhados em uma pequena mesa. Caixas embrulhadas. Papel. Fitas. Ele fez uma pausa, com as narinas dilatadas, o corpo se contraindo como se tivesse sido puxado para fora do curso.

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Lucy sentiu isso imediatamente. Ela ajustou seu ângulo, guiando-o para frente sem parar. Rex permitiu – mas sua atenção se demorou, dando uma última olhada para a mesa antes de continuar. Um murmúrio percorreu as fileiras da frente.

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Lucy soltou uma risada suave e continuou andando. Rex o seguiu, com um andar rígido e deliberado, ainda farejando enquanto se aproximavam do altar. Lucy franziu a testa e depois afastou o pensamento. Multidões podem sobrecarregar até mesmo os K9s mais bem treinados. Os casamentos não eram rotineiros.

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Mesmo assim, o Rex não se distraía. E essa percepção se instalou de forma incômoda no peito de Emma, muito depois de a música continuar. No altar, Vincent percebeu a hesitação. Seu sorriso se fechou um pouco quando seus olhos se voltaram para o cachorro e depois para Lucy. Todos estavam hiperconscientes. Tudo parecia aumentado.

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Rex se moveu novamente. Dessa vez, sua cabeça se virou bruscamente para a entrada da igreja. Seu corpo o acompanhou, afastando-se ligeiramente do corredor, como se fosse atraído por algo próximo à entrada. Lucy parou de andar, com a mão apertando a coleira. “O que foi?”, ela sussurrou.

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A cauda de Rex estava rígida agora. Não estava levantada. Não estava dobrada. Apenas imóvel. Lucy se ajoelhou brevemente ao lado dele, apoiando uma mão calmante em seu ombro. O pelo dele parecia apertado sob os dedos dela, sua respiração era superficial e controlada. Não em pânico. Concentrado.

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“Calma”, ela murmurou. “Está tudo bem.” As orelhas do cão se contraíram novamente. Ele emitiu um som baixo – quase inaudível, mais uma vibração do que um crescimento – e Lucy sentiu seu estômago baixar. Ela se levantou lentamente, com o coração batendo mais rápido agora, e guiou Rex para frente mais uma vez.

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Ele resistiu por meio segundo a mais do que antes, depois o seguiu, embora seus olhos continuassem a se movimentar, examinando o espaço como se estivesse rastreando um movimento que ninguém mais pudesse ver. A música se suavizou, mudando para sinalizar a entrada iminente da noiva.

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Nos fundos da igreja, Emma estava se preparando para entrar. Lucy olhou por cima do ombro em direção às portas, verificando instintivamente o tempo. Foi quando Rex congelou novamente. Completamente imóvel. Seu olhar se fixou na entrada agora – não nas janelas, não na multidão. As portas.

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Lucy sentiu uma pontada de frio subir por sua espinha. “Rex”, disse ela em voz baixa, tentando manter a voz firme. “Vá para a frente.” A coleira ficou esticada quando Rex se inclinou para frente, os músculos se enrolando sob a pele, a atenção afiada até o fio da navalha. Alguns convidados próximos ao corredor se inclinaram ligeiramente para trás, incomodados com a súbita tensão que irradiava dele.

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Vincent se inclinou sobre o altar, com a inquietação passando brevemente por seu rosto antes de ser dissipada. Lucy estava de pé perto do altar com as outras damas de honra, com Rex sentado bem ao seu lado. Sua coleira estava enrolada em seu pulso, solta, mas segura.

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Uma expectativa silenciosa percorreu os bancos. Então as portas se abriram. Emma apareceu na entrada, emoldurada por luz e tecido branco, com a respiração suspensa quando todos os rostos se voltaram para ela. Por um instante, tudo estava exatamente como deveria estar. Rex se levantou.

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Lucy franziu ligeiramente a testa, apertando a coleira com mais força. “Calma”, ela murmurou. Rex não olhou para Emma. Suas orelhas se inclinaram para a frente. Seu corpo se afastou do corredor – em direção ao canto mais distante da igreja, onde os presentes de casamento estavam empilhados em uma pequena mesa.

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Rex rosnou. Baixo. Controlado. Lucy se enrijeceu. “Rex -” Ele se lançou. A coleira rasgou os dedos de Lucy antes que ela pudesse se segurar. Um suspiro agudo. Rex já havia desaparecido, as patas derrapando contra a pedra polida enquanto ele avançava sobre a mesa de presentes.

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Ele latiu uma vez. Alto. Perfurante. Os papéis se agitaram. Uma caixa tombou e caiu no chão. A igreja começou a ouvir suspiros. “O que está acontecendo?” “Esse cachorro deveria estar aqui?” Rex deu a volta na mesa, latindo novamente, com o nariz pressionado e o corpo rígido.

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Então ele virou a cabeça bruscamente e olhou para Emma. Ela não se mexeu. Ela ficou congelada na porta, com o buquê agarrado ao peito, a confusão se espalhando por seu rosto enquanto olhava dos convidados para Rex e para Lucy, que lutava para alcançá-lo.

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“Rex?”, ela chamou. Ele correu em sua direção. Não estava atacando. Urgente. Ele a alcançou e prendeu a borda do vestido dela com os dentes – não com força, mas com firmeza suficiente para puxar. O tecido se rasgou. Um suspiro coletivo percorreu a sala com ele.

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“Ei!” Emma tropeçou, olhando para baixo em descrença enquanto o rasgo se alargava. “Rex, pare!” Mas ele não parou. Ele deu um puxão novamente, puxando-a para trás – em direção à mesa de presentes. “Tire esse cachorro de perto dela!” Vincent gritou, já se afastando do altar.

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Lucy finalmente os alcançou, agarrando o arreio de Rex com as duas mãos. “Rex! Chega!” Ele lutou contra ela, latindo bruscamente, os olhos nunca deixando o canto da igreja. Vincent agarrou o braço de Emma. “Você está machucada?” “Eu não sei”, disse ela, abalada, olhando para o vestido rasgado, para Rex, para o caos que se espalhava pelos bancos.

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“Leve-o para fora”, disse Vincent. “Agora.” Lucy hesitou por meio segundo – apenas o tempo suficiente para olhar para Emma. Então, ela puxou Rex de volta para a porta lateral. Ele resistiu a cada passo, latindo mais uma vez quando as portas se fecharam atrás dele. O silêncio se abateu.

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Emma ficou de pé tremendo, com o vestido de noiva rasgado, o coração batendo forte, a cerimônia se rompendo e recomeçando ao seu redor. E enquanto a música recomeçava e Vincent a guiava para frente, um pensamento se recusava a deixá-la ir: Rex não havia corrido para ela. Ele estava tentando levá-la para outro lugar.

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Emma estava de pé no altar, com as mãos tremendo o suficiente para que ela tivesse de apertar o buquê para mantê-las firmes. Seu vestido estava rasgado. Não de forma dramática, mas o suficiente para que ela pudesse sentir cada vez que se movia, o tecido puxando onde Rex o havia pegado.

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Uma falha. Uma lembrança. Seu peito ardia de constrangimento e confusão. “Sinto muito”, ela sussurrou para Vincent, com a voz embargada. “Não sei por que ele…” “Está tudo bem”, Vincent interrompeu rapidamente. Rápido demais. Ele se inclinou para mais perto, baixando a voz. “É apenas um vestido. Ninguém se importa. Estamos aqui agora.”

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Depois, mais suave – mas incisivo: “Eu o avisei, no entanto. Isso sempre foi um risco” O sorriso que ele deu a ela foi praticado. Educado. Não chegou a alcançar seus olhos. Emma assentiu, engolindo a reação que surgiu em sua garganta, forçando-se a respirar.

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Rex nunca fez nada sem um motivo, pensou ela. Ele não era jovem. Não era destreinado. Ele não entrava em pânico. Ele avaliou. Então, o que ele tinha visto? Ela tentou reproduzir tudo – a mesa de presentes, o modo como ele latiu, a urgência em seus movimentos – mas seus pensamentos se prenderam em outra coisa. As mãos de Vincent. Elas estavam fechadas à sua frente, com os nós dos dedos pálidos.

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A mandíbula dele estava firme, o músculo se contraindo enquanto ele olhava para além do ombro dela. Para Daniel. Daniel estava de pé a alguns metros de distância, fingindo endireitar o paletó. Sua postura era rígida, com os ombros erguidos e os olhos voltados repetidamente para as portas da igreja.

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Quando percebeu que Emma o observava, ele se assustou – só um pouco -, forçou um sorriso e ergueu o polegar em um sinal exagerado de positivo. Tudo bem, dizia o gesto. Emma retribuiu o sorriso fraco, com uma sensação de desconforto no estômago. Eles só estão abalados, disse a si mesma.

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Qualquer um estaria. O oficiante limpou a garganta. A cerimônia foi retomada. Os votos. Risos suaves. Uma onda de murmúrios aliviados enquanto as pessoas se acomodavam em seus lugares. Então, Rex começou a latir. Não o latido agudo e de advertência de antes. Esse era diferente. Bruto. Furioso. Repetido.

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O som atravessou a igreja como uma lâmina. Alguns convidados gemeram baixinho. Alguém sussurrou: “Ele ainda está lá fora?” Outro murmurou algo sobre controle. O coração de Emma disparou. Vincent se enrijeceu ao lado dela.

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Os latidos ficaram mais altos. Mais perto. Então as portas se abriram. Um homem entrou. Ele era idoso, alto, mas curvado, vestindo um sobretudo escuro que parecia pesado demais para o clima. Seu cabelo era grisalho, bem penteado para trás, e seu rosto tinha linhas que sugeriam mais cálculo do que idade.

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Ele não hesitou. Não olhou em volta. Não parecia surpreso por estar ali. Emma franziu a testa, examinando as primeiras fileiras. Talvez um parente distante? Alguém que Vincent esqueceu de mencionar? Ela se voltou para ele instintivamente.

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E a resposta a atingiu de uma só vez. Vincent o conhecia. Não um reconhecimento como o da família. Reconhecimento como pavor. A cor se esvaiu do rosto de Vincent quando os olhos do homem encontraram os seus. Sua boca se abriu ligeiramente, como se quisesse falar – ou avisar – ou implorar – mas nenhum som saiu.

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Daniel deu um passo para trás. Vincent olhou para os lados – apenas uma vez – para Daniel. Daniel percebeu o olhar imediatamente. Sua mandíbula se contraiu. Ele deu a Vincent um pequeno e deliberado aceno de cabeça. O que foi isso? O oficiante pediu a Vincent que iniciasse seus votos.

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Vincent inalou e começou a falar. Sua voz tremeu. Ela vacilou na primeira linha, se firmou na segunda e depois vacilou novamente. Os convidados sorriram com indulgência. Alguém sussurrou: “Ah, que nervosismo” Outro enxugou os olhos.

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Emma não sorriu. Em vez disso, ela observou Daniel. Daniel não estava olhando para ela. Ele não estava olhando para Vincent. Ele estava observando o homem na fileira de trás. E foi então que Emma soube que não poderia fazer isso. “Espere”, disse ela gentilmente. O oficiante fez uma pausa. Vincent se virou para ela, assustado.

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“Desculpe-me”, disse Emma, já dando um passo para trás. “Só um momento.” Uma onda de murmúrios a seguiu enquanto ela se afastava do altar. Ela deu um sorriso rápido e apologético para as fileiras da frente enquanto passava, depois se virou para a entrada da igreja. Rex estava lá.

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Sua coleira havia sido amarrada firmemente em um pilar de pedra do lado de fora das portas, com a presilha de metal esticada devido ao esforço que ele vinha fazendo. No momento em que viu Emma, seu latido se transformou em um lamento tenso e desesperado.

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O corpo dele se inclinou em direção a ela, os músculos tremendo, as patas raspando no chão como se a vontade pudesse arrastá-la de volta. “Eu sei”, Emma sussurrou, sem parar. Ela passou por ele. Diretamente para a mesa de presentes. A caixa de prata se destacava das demais.

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Não tinha cartão. Sem nome. Apenas um embrulho polido e uma fita branca muito bem amarrada. Ela não havia sido empilhada com as outras. Havia sido colocada. Emma estendeu a mão para pegá-la. “Senhorita?”, disse o porteiro calmamente, dando um passo à frente. “Está tudo bem?”

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“Quem trouxe isso?” Perguntou Emma. O porteiro franziu a testa. “Eu não me lembro, honestamente. Não foi entregue a mim junto com os outros.” Passos se aproximaram atrás dela. Vincent. Daniel. “Isso é meu”, disse Daniel rapidamente. Rápido demais. “Apenas… algo que eu não queria que fosse misturado.” Emma se virou.

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Os dois homens pareciam errados. Apertados. Pálidos. Alerta. “Abra”, disse ela. Daniel forçou uma risada. “Emma, vamos lá – isso é ridículo” “Abra”, ela repetiu. O silêncio se espalhou. Então o homem idoso se levantou. “Vou levar isso”, disse ele calmamente, já colocando a mão no bolso do paletó.

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“E vou seguir meu caminho.” Todos os instintos de Emma gritaram. “Não”, disse ela, com os dedos apertando a fita. O homem perdeu a compostura. “Não faça isso”, ele gritou. A faca apareceu em sua mão – rápida, deliberada, baixa, mas inconfundível.

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A igreja se encheu de suspiros. As cadeiras se arrastavam suavemente enquanto as pessoas se afastavam, levantando as mãos instintivamente. “Dê-me a caixa”, disse o homem, com a voz afiada agora. “Ninguém se machuca.” Emma não se mexeu. Pelo canto do olho, Emma viu Lucy se esgueirando por entre a multidão, dando voltas, com cuidado para não chamar a atenção.

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O homem percebeu. “Para trás”, ele disse, levantando a faca apenas o suficiente para mostrar seu ponto de vista. “Todos vocês. Agora.” Emma não se mexeu. “Você disse que estava aqui para coletar”, disse ela, com a voz firme apesar do tremor nas mãos. “Coletar o quê?”

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O olhar do homem se voltou para a caixa de prata. “O que seu noivo e o irmão dele me prometeram.” Daniel exalou bruscamente. “Emma-” “Não faça isso”, ela interrompeu. Seus olhos nunca deixaram o homem. “Comecem a falar. Todos vocês.” Os ombros de Vincent caíram. Apenas um pouco. O suficiente.

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“Nós devíamos dinheiro”, disse Vincent finalmente. Sua voz estava baixa agora, sem cerimônia. “Muito dinheiro. Não a ele, mas ao chefe dele.” Emma o encarou, o barulho da igreja se transformando em um rugido monótono. “Para quê?” Daniel engoliu. Seus olhos se voltaram para a caixa e depois se afastaram. “Nós apreendemos algo no ano passado. Uma grande carga. De alto valor. Deveria ter sido colocado como prova.”

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O peito de Emma se apertou. “Deveria.” O homem soltou um sorriso fino. “Em vez disso, eles fizeram um acordo. Eu a recebo de volta. A dívida deles desaparece.” Emma olhou para a caixa novamente. Não era um presente. Não foi um erro. Uma prova. Registrada. Lacrada.

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Destinadas a permanecer intocadas em uma sala trancada até uma data de julgamento que nunca chegaria. E, de repente, tudo fez sentido – por que Rex nunca tinha se conformado. Por que sua tensão havia aumentado em vez de diminuir com o passar do dia.

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“Você achou que ele não estaria aqui”, disse ela lentamente, a percepção sendo mais profunda do que a raiva. Seus olhos se voltaram para Vincent. “É por isso que você era tão contra a vinda dele. É por isso que você continuou pressionando para que ele ficasse do lado de fora.” Vincent não respondeu.

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Emma continuou, sua voz firme agora, assustadoramente calma. “Você planejou que ele não estivesse aqui.” Daniel desviou o olhar. Emma balançou a cabeça, a descrença a queimando. “Por que hoje?”, ela exigiu. “Por que meu casamento?”

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Vincent passou a mão pelos cabelos, o pânico finalmente rompendo seu controle. “Porque a delegacia estava com uma equipe reduzida. Porque o oficial de provas de que você precisava estaria aqui de qualquer maneira.

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Porque este era o único lugar onde ninguém questionaria uma caixa sendo carregada para dentro ou para fora.” Seu estômago revirou. “Você a escondeu à vista de todos.” “Era para ser rápido”, disse ele. “Entrar e sair. Sem alarmes. Sem buscas. Apenas… pronto.”

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Emma riu uma vez, aguda e quebrada. Seu olhar caiu para a caixa, depois voltou para Vincent. “Você me subestimou. Achou que eu não iria verificar.” Vincent se aproximou, com as mãos erguidas, sua voz rachando sob o peso de suas próprias desculpas.

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“Eu estava tentando nos proteger. Você não entende como as coisas ficaram ruins.” A compostura de Emma finalmente se desfez. “Se você se importasse com a nossa segurança”, ela disse, “você nunca teria se envolvido com pessoas como ele” A igreja parecia menor agora. Mais fria.

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O homem idoso exalou bruscamente, sem paciência. “Chega disso.” A faca apareceu lentamente, deliberadamente – o aço captando a luz enquanto ele se aproximava de Emma. Agora estava perto o suficiente para que ela pudesse ver a mão dele tremendo, não de medo, mas de intenção. A multidão congelou. Alguém chorou. Ninguém se mexeu.

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Rex se moveu. Ele atravessou as portas abertas como um raio negro, um lampejo de músculos e instinto, movendo-se mais rápido do que se pensava. Em um segundo, o homem estava avançando e, no seguinte, estava no chão. Rex o acertou com força total, batendo em seu peito com precisão treinada. A faca se soltou, deslizando pelo chão.

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Os suspiros percorreram a igreja enquanto Rex prendia o homem no chão, com as mandíbulas travadas na manga, rosnando baixo e letal – inabalável, implacável. Emma ficou congelada, com a respiração ofegante. Seu casamento estava em pedaços ao seu redor. Seu cão acabara de salvar sua vida. Lucy estava lá imediatamente, com o joelho nas costas do homem, torcendo o braço dele para trás.

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“Não se mova”, disse ela calmamente. “Você realmente não quer que ele o morda.” Rex soltou a manga apenas o tempo suficiente para pegar a faca, trotando direto para Emma e deixando-a cair a seus pés. Silêncio. Alguém na multidão falou, com a voz trêmula. “Chamamos a polícia. Quando vimos a faca.” Vincent se afastou. “Emma, ouça…” “Não”, disse ela. “Ouça você.”

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Ela olhou para ele – realmente olhou para ele – pela primeira vez naquele dia. “Eu confiei em você. Fiquei ao seu lado. E você transformou minha vida em cobertura para um crime.” Sua voz embargou. “Achei que poderia consertar isso.” “Você não consertou nada”, disse ela. “Você queimou tudo.” As sirenes se elevaram à distância, ficando mais altas a cada segundo. O som quebrou qualquer determinação que ainda restava a Daniel. Ele se virou e correu.

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“Rex.” Lucy não levantou a voz. Ela não precisava. Rex se moveu instantaneamente, cortando Daniel, com o corpo baixo e deliberado, os dentes arreganhados em um aviso silencioso. Daniel derrapou até parar, com as mãos levantadas como se tivesse atingido uma parede invisível. As portas se abriram momentos depois.

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Os policiais invadiram a igreja, com vozes agudas e comandos claros. Vincent não resistiu. O homem idoso olhava para o chão. Daniel não olhou nos olhos de Emma. Três prisões. Um casamento destruído. E um cão policial que cheirou a verdade muito antes que alguém estivesse pronto para encará-la.

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